Para sabermos um pouco mais sobre o assunto entrevistamos Samara Christ, integrante do Comitê Municipal do Plebiscito Popular em Pelotas.
Atmalismo - O que é o Plebiscito Popular?
Samara Christ - Um Plebiscito
é uma consulta na qual os cidadãos e cidadãs votam para aprovar ou não uma
questão. De acordo com as leis brasileiras somente o Congresso Nacional pode
convocar um Plebiscito. Apesar disso, desde o ano 2000, os Movimentos Sociais
brasileiros começaram a organizar Plebiscitos Populares sobre temas diversos,
em que qualquer pessoa, independente do sexo, da idade ou da religião, pode
trabalhar para que ele seja realizado, organizando grupos em seus bairros,
escolas, universidades, igrejas, sindicatos, aonde quer que seja, para dialogar
com a população sobre um determinado tema e coletar votos. O Plebiscito Popular
permite que milhões de brasileiros expressem a sua vontade política e
pressionem os poderes públicos a seguir a vontade da maioria do povo.
Como é que surgiu a movimentação para o plebiscito e por quê?
S.C. - Nos meses de
Junho e Julho de 2013, milhões de jovens brasileiros foram às ruas para lutar
por melhores. condições de vida, inicialmente
contra o aumento das tarifas do transporte, mas rapidamente a luta por mais
direitos sociais estavam presentes nas mobilizações, pedia-se mais saúde, mais
educação, mais democracia.
E para
solucionar todos esses problemas fundamentais da nossa sociedade, chegamos a
conclusão de que não basta mudarmos “as pessoas” que estão no Congresso.
Precisamos mudar “as regras do jogo”, mudar o Sistema Político Brasileiro. E
isso só será possível se a voz dos milhões que foram as ruas em 2013 for
ouvida. Como não esperamos que esse Congresso “abra seus ouvidos” partimos para
a ação, organizando um Plebiscito Popular que luta por uma Assembléia
Constituinte, que será exclusivamente eleita e terá poder soberano para mudar o
Sistema Político Brasileiro, pois somente através dessa mudança será possível
alcançarmos a resolução de tantos outros problemas que afligem nosso povo, por
isso a proposta desse grande plebiscito popular.
Quantos
comitês já tem pelo Brasil e como se organizam?
S.C. - Existem aproximadamente cerca de 500 Comitês Populares espalhados pelo Brasil, organizados
por diversas entidades e movimentos sociais. Se organizam basicamente através
de reuniões, grupos de trabalho, plenárias municipais e estaduais. Uma nova
metodologia que vem sendo testada nesse plebiscito é a realização de cursos de
formação de formadores e o curso dos mil, em que abrange um público grande e
diverso, com a intenção de divulgar e disseminar cada vez mais a proposta do
Plebiscito.
E em Pelotas como está a organização?
S.C. - Em Pelotas o
Comitê Municipal foi fundado dia 10 de maio e teve uma constituição plural,
além de ser formado por três frentes: universitária, sindical e escolas. Cada
grupo é responsável pela formação política e ampliação da discussão do
plebiscito popular por uma nova constituinte dentro de seus ambientes. A
principal intenção do comitê é a de reaproximar a população da política, na
tentativa de desmistificar a ideia de que brasileiros não gostam de política e
assim não conseguimos mudar nada.
Qual é a expectativa de votos no Brasil e em Pelotas?
S.C. - A expectativa é grande, esperamos fazer mais de 20 milhões de
votos no Brasil. E para isso estamos trabalhando forte em Pelotas com a meta de
mais de 10 mil assinaturas, com urnas espalhadas por diversos cantos da cidade,
bairros, escolas, universidades, fábricas, igrejas e sindicatos.
Você acredita que uma nova constituição é possível no Brasil?
S.C. - A Constituinte, na verdade, é condição
fundamental para a realização de tais reformas. Rejeitada pelo atual Congresso
Nacional, uma verdadeira reforma política só virá com ampla participação
popular. E é por isso que o plebiscito organizado para setembro pode cumprir um
papel educativo e mobilizador para criar condições para um novo ciclo de mudanças estruturais no país.
A mobilização
pela reforma política e a realização do plebiscito popular pela Constituinte
entre os dias 1º e 7 de setembro é parte desta luta geral por reformas
democráticas e populares, a exemplo da democratização da mídia, da reforma
agrária e urbana popular e de uma reforma tributária que amplie o fundo público
para as políticas universais, como saúde, educação, transporte e cultura.

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