sábado, 12 de julho de 2014

Auditoria interna da UFPel aponta irregularidades


Imagine que você é gerente de uma loja, responsável por fazer os pagamentos aos funcionários. Na loja trabalham vinte pessoas, e dessas vinte, três delas são amigas muito próximas de você. Na hora de pagar os funcionários, você paga duas vezes por mês os seus 'amigos'. Quando o dono da loja descobrir o seu afeto demonstrado em pagamento duplo para seus amigos o que aconteceria? Provavelmente você seria demitido, já que o dono não quer correr o risco de você falhar mais uma vez e ocasionar prejuízos a empresa.

Deixando de lado a imaginação, aqui na UFPel um caso parecido como o da nossa historinha aconteceu. Alguns dias atrás no site oficial da universidade foi publicado a auditoria interna 06/2013. A auditoria tem como interessados o Tribunal de Contas da União (TCU), Contradoria Geral da União (CGU) e a própria Universidade Federal de Pelotas. O documento aponta várias irregularidades em pagamentos feito a servidores e professores da universidade.


O documento fala por si mesmo. DUPLICIDADE DE PAGAMENTO para funcionários e professores, pode?






Professores recebendo duas vezes ao mês pelo mesmo projeto.






A administração da universidade age fora da lei e paga acima do teto estabelecido na lei. Funcionário recebe mais de 42 mil reais. Enquanto isso seu professor pena pra conseguir um projeto de pesquisa com bolsa.





Projetos recebendo bolsa mesmo sem passar pelo COCEPE.

COCEPE é o Conselho Coordenador do Ensino, da Pesquisa e da Extensão. Nele estão representados professores eleitos de cada área de conhecimento (agrária, saúde, humanas, etc...) da universidade. Há representação estudantil, que é escolhida juntamente com as eleições do DCE. Os conselhos representam a democracia dentro da universidade, já que todas as decisões não podem ser tomadas somente pela administração. Projetos de ensino, pesquisa e extensão devem passar pela comissão específica e após ser aprovado pelo conselho. Não temos como admitir que projetos sejam aprovados pela simples vontade da reitoria.





Aqui o salário que qualquer servente de limpeza gostaria de ganhar R$ 6.000,00. Sim, seis mil reais para essa servidora. Não que sejamos contra um servente de limpeza a ganhar bem, mas será que a própria servente sabe que os seus vencimentos chegaram a esse valor? Será mesmo que é a servente de limpeza que está guardando em sua carteira esse dinheiro? Oras, a UFPel tem somente uma funcionária concursada para serviços de limpeza, caso fosse, a FAEM estaria 'nos trinques' de tão bem limpa, afinal, quem não trabalharia feliz e motivado ganhando seis mil reais.


No nosso caso que imaginamos, você seria demitido. E na UFPel o que será que acontecerá com nosso reitor Mauro Del Pino, nada né!?

domingo, 6 de julho de 2014

Reforma política, começa por onde?

Do porteiro do prédio ao deputado federal, todos acham que o sistema político brasileiro precisa de alguma reforma. Sejam reformas mais contundentes, ou pequenas alterações, o que o brasileiro espera mesmo é que alguma reforma seja feita.  A partir disso partidos e organizações sociais estão tentando achar alguma saída para isso. Uma dessas saídas achadas por alguns movimentos sociais é o Plebiscito Popular, aos mesmos moldes que foi feito para consultar a população sobre a implementação da ALCA. O Plebiscito Popular não tem valor legal, já que não é executado pelo governo, mas, movimentos sociais e partidos políticos que estão executando o Plebiscito Popular estão acreditando no poder de pressão que ele pode trazer para a questão da reforma política.
Para sabermos um pouco mais sobre o assunto entrevistamos Samara Christ, integrante do Comitê Municipal do Plebiscito Popular em Pelotas.

Atmalismo - O que é o Plebiscito Popular?

Samara Christ - Um Plebiscito é uma consulta na qual os cidadãos e cidadãs votam para aprovar ou não uma questão. De acordo com as leis brasileiras somente o Congresso Nacional pode convocar um Plebiscito. Apesar disso, desde o ano 2000, os Movimentos Sociais brasileiros começaram a organizar Plebiscitos Populares sobre temas diversos, em que qualquer pessoa, independente do sexo, da idade ou da religião, pode trabalhar para que ele seja realizado, organizando grupos em seus bairros, escolas, universidades, igrejas, sindicatos, aonde quer que seja, para dialogar com a população sobre um determinado tema e coletar votos. O Plebiscito Popular permite que milhões de brasileiros expressem a sua vontade política e pressionem os poderes públicos a seguir a vontade da maioria do povo.


Como é que surgiu a movimentação para o plebiscito e por quê?

S.C. - Nos meses de Junho e Julho de 2013, milhões de jovens brasileiros foram às ruas para lutar por melhores. condições de vida, inicialmente contra o aumento das tarifas do transporte, mas rapidamente a luta por mais direitos sociais estavam presentes nas mobilizações, pedia-se mais saúde, mais educação, mais democracia.
E para solucionar todos esses problemas fundamentais da nossa sociedade, chegamos a conclusão de que não basta mudarmos “as pessoas” que estão no Congresso. Precisamos mudar “as regras do jogo”, mudar o Sistema Político Brasileiro. E isso só será possível se a voz dos milhões que foram as ruas em 2013 for ouvida. Como não esperamos que esse Congresso “abra seus ouvidos” partimos para a ação, organizando um Plebiscito Popular que luta por uma Assembléia Constituinte, que será exclusivamente eleita e terá poder soberano para mudar o Sistema Político Brasileiro, pois somente através dessa mudança será possível alcançarmos a resolução de tantos outros problemas que afligem nosso povo, por isso a proposta desse grande plebiscito popular.


Quantos comitês já tem pelo Brasil e como se organizam?

S.C. - Existem aproximadamente cerca de 500 Comitês Populares espalhados pelo Brasil, organizados por diversas entidades e movimentos sociais. Se organizam basicamente através de reuniões, grupos de trabalho, plenárias municipais e estaduais. Uma nova metodologia que vem sendo testada nesse plebiscito é a realização de cursos de formação de formadores e o curso dos mil, em que abrange um público grande e diverso, com a intenção de divulgar e disseminar cada vez mais a proposta do Plebiscito.


E em Pelotas como está a organização?

S.C. - Em Pelotas o Comitê Municipal foi fundado dia 10 de maio e teve uma constituição plural, além de ser formado por três frentes: universitária, sindical e escolas. Cada grupo é responsável pela formação política e ampliação da discussão do plebiscito popular por uma nova constituinte dentro de seus ambientes. A principal intenção do comitê é a de reaproximar a população da política, na tentativa de desmistificar a ideia de que brasileiros não gostam de política e assim não conseguimos mudar nada.


Qual é a expectativa de votos no Brasil e em Pelotas?

S.C. - A expectativa é grande, esperamos fazer mais de 20 milhões de votos no Brasil. E para isso estamos trabalhando forte em Pelotas com a meta de mais de 10 mil assinaturas, com urnas espalhadas por diversos cantos da cidade, bairros, escolas, universidades, fábricas, igrejas e sindicatos.


Você acredita que uma nova constituição é possível no Brasil?

S.C. - A Constituinte, na verdade, é condição fundamental para a realização de tais reformas. Rejeitada pelo atual Congresso Nacional, uma verdadeira reforma política só virá com ampla participação popular. E é por isso que o plebiscito organizado para setembro pode cumprir um papel educativo e mobilizador para criar condições para um novo ciclo de mudanças estruturais no país.
A mobilização pela reforma política e a realização do plebiscito popular pela Constituinte entre os dias 1º e 7 de setembro é parte desta luta geral por reformas democráticas e populares, a exemplo da democratização da mídia, da reforma agrária e urbana popular e de uma reforma tributária que amplie o fundo público para as políticas universais, como saúde, educação, transporte e cultura.





Trabalho escravo 126 anos depois

O trabalho escravo é uma realidade no Brasil, quem não se lembra da marca Zara, que admitiu em CPI o uso de força de trabalho escravo. Mesmo tendo passado 126 anos da assinatura da Lei Áurea, nesse início de julho o Ministério do Trabalho em Emprego registrou mais 91 empregadores que estão usando força de trabalho escravo. A chamada "lista suja" já contem 609 pessoas físicas e jurídicas que estão submetendo os trabalhadores em condições análogas a escravidão. As empresas que estão com o nome no cadastro ficam bloqueadas a conseguir financiamentos em bancos públicos e privados.
Duas centrais sindicais publicaram a notícia em seus sites oficiais com certa desconfiança. A CTB cobra o congresso aprove de vez o conceito de trabalho escravo e, diz que 14 anos de discussão pelos parlamentares só pode ser manobra da bancada ruralista para atrasar a efetivação da lei. Já a CUT acusa o judiciário de retirar do cadastro duas empresas após liminares judicias, não levando em consideração  que a OAS (conglomerado de multinacionais) e GAP (setor têxtil) tenham sido responsabilizadas por escravizar mais de 150 trabalhadores.
Confira abaixo os setores que mais usam trabalho escravo no Brasil: