Há quem se espante, feche as janelas e faça o sinal da cruz quando ouve a palavra ‘revolução'. Há quem ache que se não atirar e quebrar, nada se muda. As organizações de esquerda que se apresentam hoje no Brasil parecem já ter decretado o sepultamento de qualquer tipo de projeto revolucionário para essa terra e esse povo.
Não estamos falando de abrir uma barricada no meio da avenida mais próxima e começar a disparar e expropriar qualquer grande empresa; não estamos falando em sair para o meio do mato e começar um grupo guerrilheiro; estamos apontando aqui um projeto revolucionário que guie uma possível quebra no estado das coisas como estão para uma ruptura que consiga trazer avanços significativos para a vida das pessoas.
Não estamos falando de abrir uma barricada no meio da avenida mais próxima e começar a disparar e expropriar qualquer grande empresa; não estamos falando em sair para o meio do mato e começar um grupo guerrilheiro; estamos apontando aqui um projeto revolucionário que guie uma possível quebra no estado das coisas como estão para uma ruptura que consiga trazer avanços significativos para a vida das pessoas.
O “plano B” da dita esquerda brasileira para as próximas eleições presidenciais, Fernando Haddad, ex prefeito de São Paulo, é imagem clássica da esquerda universitária. Faz jus a frase do rapper Emicida “esses boy conhece Marx, nóis conhece a fome”. Haddad tem em suas mãos o reflexo dos intelectuais de esquerda que guiam os partidos e movimentos de massa no Brasil; suas mãos não parecem ser trabalhadas na enxada, no martelo ou em qualquer outro trabalho manual, as mãos só conhecem o peso dos papéis e seu universo burocrático. Na recente aula inaugural (04/08) do curso de pós graduação em Filosofia Política “A Esquerda no Século XXI” pelo Instituto Dom José Gomes e apoio da Universidade da Fronteira Sul, Haddad joga mais uma vez uma pá de terra em qualquer aspiração de um projeto revolucionário brasileiro ou latino americano. Em uma inclinação hobbesiana, defende as mudanças através de nossa posta democracia liberal, defende a “revolução da pena”, onde tudo se mudaria através do voto para eleger representantes e esses representantes ficariam responsáveis por carregar seus papéis iluminados de mudança para a população que é privada de seus direitos.
Foto: Cleberson Marcon
Cornélius Castoriadis no livro “A Instituição Imaginária da Sociedade” dedica uma parte da obra para pensar um projeto revolucionário, defende a autonomia dos sujeitos nesse projeto. Afirma que somente numa sociedade autônoma os sujeitos de fato seriam autônomos. Essa autonomia enraizada no próprio projeto evitaria totalitarismos no campo da esquerda assim como aconteceu com Joseph Stalin. Se ouvir falar de projeto revolucionário a esquerda brasileira fortemente influenciada pela teologia da libertação já se agarra em seus terços. Quando se ouve falar de autonomia, no horizonte já se vêem cruzes escritas “utópicos”, “anarquistas”, “ingênuos”. O pavor em manifestações de rua das centrais sindicais, partidos políticos e do movimento estudantil é que grupos tomem atitudes autonomistas, que prezem pela auto organização e não por discursos de lideranças em carros de som.
Quando Castoriadis escreve o livro no qual apresenta seus pontos para um projeto revolucionário para a esquerda, o século era o passado, a realidade era outra, entretanto sepultar de vez em nossos dias qualquer possibilidade de um projeto revolucionário é renegar o próprio projeto de esquerda em construir uma nova sociedade no presente, é se entregar à institucionalização dos partidos políticos e movimentos sociais.

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